Coral de 60 vozes emociona público na celebração dos 16 anos da Comunidade Dona Paula
7 de setembro de 2026
Vilceia Melo (1 article)
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Coral de 60 vozes emociona público na celebração dos 16 anos da Comunidade Dona Paula

Mais de 4 mil homens já foram acolhidos pela instituição, localizada no Sítio Bom Jardim, em Arapiraca

Canto, fé, emoção e histórias de superação marcaram a celebração dos 16 anos da Comunidade Dona Paula, realizada na manhã deste domingo (6), no Sítio Bom Jardim, zona rural de Arapiraca.

Um dos momentos mais marcantes da programação foi a apresentação de um coral formado pelos 60 homens atualmente acolhidos pela instituição. Sob a condução do pastor Ricardo, o grupo interpretou louvores que ganharam significado especial diante das histórias vividas por quem busca reconstruir a própria trajetória e retomar os vínculos familiares e sociais.

Familiares, convidados, colaboradores e pessoas ligadas à história da instituição acompanharam a apresentação, marcada por momentos de forte emoção.

Entre os presentes estava Rute Nezinho, atualmente afastada das atividades administrativas da comunidade durante o período eleitoral. Ao longo dos anos, Rute esteve diretamente ligada à condução da instituição e, durante a celebração, recebeu uma homenagem pelo trabalho desenvolvido.

“É uma história construída com muito trabalho, dedicação e, acima de tudo, amor pelas pessoas. Restaurar vidas significa devolver esperança, dignidade e a possibilidade de um novo começo”, afirmou.

Mais de 4 mil histórias de acolhimento

Ao longo de seus 16 anos de funcionamento, a Comunidade Dona Paula já acolheu mais de quatro mil homens, com idades entre 18 e 60 anos.

O ciclo de acolhimento dura aproximadamente seis meses e inclui atividades relacionadas à convivência comunitária, espiritualidade, acompanhamento emocional e social e preparação para a retomada dos vínculos familiares.

Para quem passa pelo programa, os seis meses representam mais do que uma mudança de endereço.

Um dos exemplos é Wesley Cristóvão, de 28 anos, morador do bairro Santa Lúcia, em Maceió. Depois de concluir seu período de acolhimento, ele retorna para casa neste fim de semana.

Wesley conta que a espiritualidade passou a fazer parte de sua rotina e teve papel importante durante sua permanência na comunidade.

“Eu nunca tinha aberto uma Bíblia na minha vida. Na nossa rotina, todos os dias temos contato com a Palavra de Deus. Além disso, a equipe técnica realmente se importa com a gente. Aqui, de fato, ganhamos uma outra família”, contou.

A experiência de José Roberto, de 56 anos, também ajuda a traduzir o trabalho desenvolvido na instituição.

Ele afirma já ter passado por seis comunidades terapêuticas em diferentes regiões de Alagoas, mas encontrou na Comunidade Dona Paula uma relação diferente com o acolhimento.

“Todas as casas de recuperação têm o objetivo de ajudar os dependentes. Mas essa é especial. A gente se sente valorizado nas pequenas ações do dia a dia, no tom afetuoso da voz, no olhar de compreensão e até na resolução de problemas que envolvem nossa família e que a equipe técnica ajuda a solucionar”, relatou.

Para Rute Nezinho, cada pessoa acolhida traz consigo uma realidade particular.

“Cada pessoa que passa por aqui traz uma história diferente. Quando conseguimos ajudar alguém a recuperar sua dignidade, reconstruir os vínculos com a família e voltar a acreditar em si mesma, sabemos que todo esforço valeu a pena”, afirmou.

Estrutura faz parte da rotina de recuperação

A psicóloga Mônica Araújo, atual diretora da instituição, explica que a estrutura da Comunidade Dona Paula foi desenvolvida para contribuir com diferentes aspectos da rotina dos acolhidos.

Além de um espaço destinado às atividades de espiritualidade, a comunidade possui dormitórios climatizados, laboratório de informática, campo de futebol, campo de areia, quadra de squash e áreas abertas para convivência e atividades.

A rotina também envolve práticas de convivência, atividades físicas e outras ações voltadas à disciplina, ao cuidado e à preparação para o retorno à vida familiar e social.

Um nome que carrega uma história

A celebração dos 16 anos também resgatou a história da mulher que dá nome à instituição.

Maria Jucicleide Pereira Melo, a Dona Paula, nasceu em 5 de setembro de 1932 e ficou conhecida em Arapiraca como “mãe dos pobres”, pela dedicação em ajudar pessoas carentes e doentes. A comemoração deste domingo aconteceu, portanto, apenas um dia depois da data de seu nascimento.

Sua trajetória de vida foi registrada em 2010 em um documentário idealizado e dirigido pelo filho Ricardo Nezinho. Anos depois, aquela experiência se tornaria a inspiração para o projeto Raízes de Arapiraca, criado para preservar em audiovisual as histórias de homens e mulheres que participaram da construção social, cultural e econômica do município.

O registro de Dona Paula destaca justamente aquilo que acabaria se tornando também a essência da instituição que leva seu nome: a disposição em acolher e ajudar quem precisava.

Dezesseis anos depois, essa memória permanece presente no Sítio Bom Jardim, não apenas no nome estampado na entrada, mas nas histórias de homens e famílias que encontraram ali uma oportunidade de recomeçar.

Vilceia Melo

Vilceia Melo